Diálogo é salvação da legenda, diz novo presidente do PP
Tentar reorganizar um partido que praticamente se dividiu ao meio, criando duas alas e correndo o risco de ter uma debandada. Não parece ser uma tarefa fácil a que o ex-servidor público Edson Machado (63) tem pela frente. Ele assumiu recentemente a presidência do diretório municipal do Partido Progressista (PP) de Brusque. A missão vai além disso e busca, ainda, evitar que a legenda volte ao status que carregava até a chegada ao comando da prefeitura, junto com o PT, em 2009: apagada.
O fato de transitar com facilidade entre os dois lados – um liderado pelo vereador Jean Pirola e o secretário de Turismo Bóca Cunha, e o outro pela família Fischer – foi determinante para sua volta ao cenário político. Militante do partido há vários anos, ele estava praticamente fora do assunto até cerca de duas semanas atrás. “Com o novo episódio que ocorreu dentro do PP, surgiu essa oportunidade e fui convidado a participar novamente na sigla. Como o vereador Pirola, o Bóca e outros amigos vieram fazer o convite para presidir o PP, ponderei algumas coisas, justamente por ter esse trânsito bom com todos, e aceitei prontamente”, destaca ele.
A escolha de Machado para comandar a legenda pode ser comprovada em duas situações claras protagonizadas pelos dois lados que formam as alas distintas do PP. A primeira delas é o fato de seu nome ter sido convidado pelo grupo de Pirola e Bóca, devido à aproximação que possui com os Fischer. Principalmente com o ex-presidente do partido, Norival, o Nori, a quem se refere como grande amigo. “Meu companheiro Nori que, inclusive, servimos juntos no Tiro de Guerra. Sempre estive ao lado do Nori, participando do partido”, cita ele.
O segundo motivo está na própria eleição. Machado confirma que o empresário Nori Fischer chegou a anunciar uma chapa para a disputa do comando do partido contra o grupo de Pirola e Bóca na eleição interna, realizada no último dia 11 de junho. O anúncio de seu nome para encabeçar a chapa concorrente pode ter sido uma das razões para que ele retirasse a candidatura. Além, claro, de o pedido de impugnação da chapa encabeçada por Machado ter sido feita.
O vereador Edson Rubem Muller, o Pipoca, entrou com um pedido de impugnação da chapa no diretório estadual, em Florianópolis. A decisão está aguardando análise e, enquanto não houver uma definição, pouco se pode fazer em termos de ações dentro do partido. Machado diz que foi procurado por Muller, que explicou os motivos do pedido, mas prefere não revelar quais são.
Sobre rumores de que nomes de peso na legenda, como o empresário Ingo Fischer e o advogado Juarez Piva, cogitam sair do PP, Machado afirma desconhecer. “Estou chegando agora. Tenho ouvido algo, mas pela imprensa. Oficialmente não chegou nada no partido”, assegura ele.
Rusgas internas remontam 2008
A relação conflituosa e interna no PP não vem de agora. A medida de forças entre os Fischer e a outra ala remonta ainda à eleição municipal de 2008. Na convenção coletiva que escolheria os rumos da legenda naquele pleito, um grupo liderado pelo empresário Nori Fischer acenava o apoio ao então pré-candidato Paulo Eccel, garantindo a vaga de vice ao partido. Na mesma ocasião, o empresário José Luis Cunha, o Bóca, atual secretário de Turismo, buscava levar o partido para o candidato Dagomar Carneiro (PDT na época, atualmente no PSB). Fischer saiu vencedor e Farinha foi alçado como candidato a vice na chapa que venceu os dois pleitos seguintes.
Mas, de lá para cá, a relação começou a estremecer ainda na gestão do ex-prefeito Paulo Eccel. Após o caso envolvendo o vice-prefeito Evandro de Farias, o Farinha, e o terreno adquirido pelo Samae quando ele era o seu diretor-presidente, começaram a surgir as fagulhas internas no partido. Aos poucos, o então vice-prefeito foi assumindo uma postura crítica em relação ao governo de Eccel, sentido-se abandonado no caso da autarquia.
Reerguer o partido
A saída para tentar evitar que o PP afunde está no diálogo. “Vamos buscar conversar. Já conversei com o vereador Edson Pipoca. Ainda não procurei outras pessoas que dizem que cogitam sair do partido. Tentarei de todas as formas, pela amizade, demover essa vontade dos que queiram sair. Mas tudo depende dessa decisão lá em Florianópolis, do pedido do vereador Pipoca de querer anular a eleição do nosso grupo”, frisa ele.